Enquanto que em 1965 a Scuderia Ferrari utilizava em exclusivo os 275P2 (3,3L) e os 330P2 (4L), os privados utilizavam o 365P, que era um P2 na qual foi colocado um motor de 4,4 litros. Este motor V12 estava equipado com uma ignição simples, e a cilindrada foi obtida a partir do 330P utilizado em 1964.
Embora normalmente designados por 365P2, estes modelos são muitas das vezes também designados por 365P/65 ou 365P/66, no entanto a designação oficial foi sempre e só, 365P.
Este 365P estava destinado exclusivamente às equipas privadas, e a Scuderia Filipinetti, a NART, a Ecurie Francorchamps e a Maranello Concessionaires foram os principais (e habituais) clientes a usá-los. O primeiro 365P foi o #0824, que foi vendido à Scuderia Filipinetti um pouco antes dos ensaios preliminares de Le Mans de 1965, e utilizava um châssis e uma carroçaria (esta com ligeiras modificações) de 1964.
Os restantes 365P (que foram entregues depois de Le Mans) utilizavam os châssis 1965 utilizados previamente pela equipa oficial. O total de châssis não terá ultrapassado as seis unidades (#0826, #0828, #0830, #0832, #0836 e #0838). Cinco deles receberam, segundo as ocasiões, motores de 3,3 litros ou 4 litros quando utilizados pela equipa oficial, depois foram equipados com o 4,4 litros (365P) e entregues às equipas privadas. Só o #0838 é que terá sido equipado desde o início com o motor de 4,4 litros.
Em 1966, surgiram novos 365P, que utilizaram os châssis ex-oficiais P2 de 1965. Estes Ferrari sofreram, no entanto, alterações ao nível da carroçaria, que aproveitava agora as novas regras do Grupo 6, tendo sido feitas, tal como no caso dos oficiais 330P3, por Piero Drogo. No geral, estes novos 365P conservaram a carroçaria P2 (excepto o desenho da zona do habitáculo, agora mais perfilado), e diferenciam-se dos 330P3 pela entrada de ar junto às rodas traseiras, que conserva o desenho dos P2.
Foram feitas também ajustamentos ao nível dos travões e de suspensão.


Nº de chassis construídos (1965): 

Originais 365 P

365 P: 1, #0824
365P2, 1, #0838


Principais características técnicas:

V12 a 60º
4390.35 cc
Taxa de compressão: 9:1
380 CV às 7300 rpm
Duas válvulas por cilindro
Uma árvore de cames à cabeça
6 carburadores Weber 42 DCN
Caixa de 5 velocidades
Châssis tubular
Distância entre eixos: 2,40m
Peso: 800Kg
Velocidade máxima: 300 Km/h


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#0836

Este Ferrari começou a sua actividade como um 275P2, tendo alinhado nesta configuração, nos 1000 Km de Monza de 1965, com a dupla de pilotos, Mike Parkes/Jean Guichet, que alcançaram a vitória. Nas 24 Horas de Le Mans deste mesmo ano, foi colocado um motor de 4 litros, tendo-o transformado num 330P2, pilotado pela mesma equipa de pilotos da prova de Monza, no entanto aqui desisitiram na corrida.
Em inícios de Setembro, David Piper adquiriu este Ferrari com as especificações 365P2 (em configuração Grupo 7). Foi pintado com a tradicional cor verde (BP) da equipa de Piper, e com este Ferrari alinhou em diversas provas, tendo ganho as 9 Horas de Kyalami, para além do Grande Prémio de Angola de 1965. Em 1966, nos 1000 Km de Francorchamps, Piper estreou o 365P na configuração 1966 (Spider).
A carreira desportiva deste Ferrari prolongou-se até finais de 1967, conseguindo óptimos resultados, como as vitórias nas 9 Horas de Kyalami (aqui em equipa com Richard Attwood) de 1966, e as 3 Horas da Cidade do Cabo deste mesmo ano.
Piper mantêm ainda hoje a propriedade deste Ferrari, utilizando-o em diversas corridas de automóveis históricos. De referir que David Piper utilizou pela primeira vez um 365P2 (#0826) nas 24 Horas de Le Mans de 1965, em equipa com J. Bonnier, e inscritos pela Maranello Concessionaires (Desistiram).


1965


VIII Grande Prémio de Angola 
27/28 de Novembro
David Piper (nº9)
Treinos: 1º
Corrida: 1º
(Foto: Col. Ângelo Pinto Fonseca / Digitalizado de um postal da época)